A autenticidade e a transparência na rede são elementos vitais que moldam a natureza e o impacto das interações online na sociedade contemporânea. Não são apenas questões tecnológicas, mas também éticas e sociais.
À medida que a tecnologia digital se torna cada vez mais integrada no nosso quotidiano, a autenticidade e a transparência moldam a forma como nos conectamos, comunicamos e compartilhamos informações, influenciando a confiança que depositamos no mundo digital. Refletir sobre esses dois conceitos é essencial para garantir um ambiente online, saudável e confiável, que beneficie a sociedade como um todo.
A Virtualização das Redes Sociais leva-nos a debater a questão da Autenticidade e Transparência na Rede. A questão não surge e não se coloca apenas no “mundo virtual”. Coloca-se também no “mundo real”, onde os relacionamentos se estabelecem face a face.
A autenticidade
A questão da autenticidade coloca-se ao nível da informação. Tal como no
suporte em papel, a rede tem os seus problemas de autenticidade, desde logo
pela dificuldade em controlar o seu conteúdo. Ao nível da informação distribuída
pelos jornais online e outras instituições credíveis, o problema também se
coloca, porque a manipulação da informação torna, por vezes, difícil perceber até
que ponto a informação é autêntica. Será sempre necessário, confirmar essa
informação.
As redes sociais são outro universo, que coloca a
autenticidade em questão, poderemos fazer a pergunta “quem sou na rede?” Sendo
que a resposta não é fácil, a duplicidade para ser um facto consumado pelas
redes sociais da Web, essas redes são muitas vezes redes de pessoas e ou
instituições sem outra ligação que seja essa. Simular perfis, criar uma
entidade, é na rede uma das facetas mais preocupantes, quem se esconde por de
trás de um perfil de uma fotografia, os perfis falsos são já uma parcela
importante da equação.
O grande problema da falta da autenticidade e
transparência na rede prende-se com factos endógenos e exógenos, porque se
falamos de uma Word Wide Web, poderemos também falar de restrições a essa rede
mundial, cortes que transformam essa rede numa rede privada de um país, em que
aos utilizadores não é permitido o acesso completo a todo o conteúdo da rede, a
evolução da rede permitirá um controlo cada vez mais apertado, cuja intenção é
claramente a manipulação da informação, nem que para isso se tenha de criar uma
rede nacional.
Sobre a transparência
Desde logo, e como já foi referido anteriormente, sem autenticidade não há
transparência que resista. A informação constante na rede, deverá sempre ser
confirmada uma e outra vez, recorrendo a outros meios de comunicação. O que nos
leva a um problema, mais vulgarmente disseminado como plágio.
Este problema é tão mais grave quanto se sabe que
é uso vulgar nas escolas o recurso à rede, para fazer trabalhos escritos, em
que se utiliza o trabalho produzido por terceiros para, rapidamente e sem grande
esforço, produzir o tal trabalho para a tal disciplina, sendo muitas vezes os professores os maiores impulsionadores deste tipo
de comportamentos com a vulgar frase “é só ir à Internet”. O problema é que não é só ir à Internet, existem uma série de boas práticas que deveriam
ser seguidas, até por uma questão de transparência autoral. Urge a mudança de
mentalidades, e se o problema é por si grave quando estamos a falar dos
primeiros níveis de ensino, mais grave se torna no caso do ensino superior.
Em Portugal, são já algumas as referências ao
plágio como uma ocorrência grave, que se propagou ao ensino superior a uma
velocidade estonteante, propiciada pela grande autoestrada da informação, não
queiramos com isto dizer que o problema do plágio se possa resumir ao fenómeno
da Web, não, apenas a facilidade e a quantidade de recursos, presentes na rede,
serviram para de algum modo dar mais e melhores ferramentas para concretizar
essa utilização da informação.
Que garantias temos? Quem controla a rede?
Questões que se levantam, quando pensamos na quantidade de informação que circula
pela rede? A questão dos direitos de autor, as licenças e os certificados SSL,
levam-nos a pensar que a necessidade de certificação digital, levará a rede num
futuro já próximo a trilhar novos caminhos. Estamos em crer que sim e tudo
aponta para que os certificados digitais possam no futuro condicionar a
utilização da rede. Cada utilizador terá credenciais digitais que o
autenticarão na rede, o controlo não será feito pelo IP da máquina ou da
ligação, que sendo dinâmico está sujeito a mudanças.
A rede continua a ter grandes problemas de
controlo não existindo garantias quanto à sua fiabilidade. Lévy e Castels propõem a solução: a rede se autorregular. Estamos em crer que sem diretivas
precisas e normalizadas, dentro de um contexto legislativo transnacional, a autorregulação é uma aposta perdida.
Conclusão
A autenticidade e transparência na rede são
conceitos fundamentais, porém desafiadores de serem alcançados no contexto
atual, gerando as condições ideais, nas redes sociais e em ambientes virtuais, para
a criação do indivíduo virtual que se transforma e transforma as suas relações
com o mundo e com os outros indivíduos. As plataformas online permitem a criação
de uma persona digital única para cada utilizador, influenciando não
apenas a forma como as pessoas se apresentam na internet, mas também como
interagem com o mundo e com os outros indivíduos. Outros desafios a ter em
conta são: a disseminação de informações falsas, o anonimato que permite
comportamentos negativos, a falta de verificação de identidade e a manipulação
de algoritmos, que podem distorcer a autenticidade e a transparência nas
interações online.
Resumindo, destaca-se a complexidade da busca
pela autenticidade e transparência na era digital, reconhecendo os obstáculos
presentes, mas também sublinhando o papel crucial que as redes sociais e
ambientes virtuais desempenham na formação das identidades online e nas
relações interpessoais.
Finalmente, e por outro lado, surge a fraude e o plágio, uma e
outra traduzem a falta da autenticidade e transparência na rede, traduzem
também falhas ao nível da formação cívica dos utilizadores. Ainda assim, não
podemos olhar apenas para os perigos, deveremos concentrar-nos nos
grandes benefícios que a rede nos trouxe e fazer com que a transparência e a
autenticidade sejam reais, adotando esses conceitos na nossa vida na rede.
Biliografia
BAUDRILLARD, J. (1991). Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio d’Água.


Sem comentários:
Enviar um comentário