quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Autenticidade e transparência na rede


Introdução

A autenticidade e a transparência na rede são elementos vitais que moldam a natureza e o impacto das interações online na sociedade contemporânea. Não são apenas questões tecnológicas, mas também éticas e sociais.

À medida que a tecnologia digital se torna cada vez mais integrada no nosso quotidiano, a autenticidade e a transparência moldam a forma como nos conectamos, comunicamos e compartilhamos informações, influenciando a confiança que depositamos no mundo digital. Refletir sobre esses dois conceitos é essencial para garantir um ambiente online, saudável e confiável, que beneficie a sociedade como um todo.

A Virtualização das Redes Sociais leva-nos a debater a questão da Autenticidade e Transparência na Rede. A questão não surge e não se coloca apenas no “mundo virtual”. Coloca-se também no “mundo real”, onde os relacionamentos se estabelecem face a face.

A autenticidade


A questão da autenticidade coloca-se ao nível da informação. Tal como no suporte em papel, a rede tem os seus problemas de autenticidade, desde logo pela dificuldade em controlar o seu conteúdo. Ao nível da informação distribuída pelos jornais online e outras instituições credíveis, o problema também se coloca, porque a manipulação da informação torna, por vezes, difícil perceber até que ponto a informação é autêntica. Será sempre necessário, confirmar essa informação.

As redes sociais são outro universo, que coloca a autenticidade em questão, poderemos fazer a pergunta “quem sou na rede?” Sendo que a resposta não é fácil, a duplicidade para ser um facto consumado pelas redes sociais da Web, essas redes são muitas vezes redes de pessoas e ou instituições sem outra ligação que seja essa. Simular perfis, criar uma entidade, é na rede uma das facetas mais preocupantes, quem se esconde por de trás de um perfil de uma fotografia, os perfis falsos são já uma parcela importante da equação.

O grande problema da falta da autenticidade e transparência na rede prende-se com factos endógenos e exógenos, porque se falamos de uma Word Wide Web, poderemos também falar de restrições a essa rede mundial, cortes que transformam essa rede numa rede privada de um país, em que aos utilizadores não é permitido o acesso completo a todo o conteúdo da rede, a evolução da rede permitirá um controlo cada vez mais apertado, cuja intenção é claramente a manipulação da informação, nem que para isso se tenha de criar uma rede nacional.

Sobre a transparência


Desde logo, e como já foi referido anteriormente, sem autenticidade não há transparência que resista. A informação constante na rede, deverá sempre ser confirmada uma e outra vez, recorrendo a outros meios de comunicação. O que nos leva a um problema, mais vulgarmente disseminado como plágio.

Este problema é tão mais grave quanto se sabe que é uso vulgar nas escolas o recurso à rede, para fazer trabalhos escritos, em que se utiliza o trabalho produzido por terceiros para, rapidamente e sem grande esforço, produzir o tal trabalho para a tal disciplina, sendo muitas vezes os professores os maiores impulsionadores deste tipo de comportamentos com a vulgar frase “é só ir à Internet”. O problema é que não é só ir à Internet, existem uma série de boas práticas que deveriam ser seguidas, até por uma questão de transparência autoral. Urge a mudança de mentalidades, e se o problema é por si grave quando estamos a falar dos primeiros níveis de ensino, mais grave se torna no caso do ensino superior.

Em Portugal, são já algumas as referências ao plágio como uma ocorrência grave, que se propagou ao ensino superior a uma velocidade estonteante, propiciada pela grande autoestrada da informação, não queiramos com isto dizer que o problema do plágio se possa resumir ao fenómeno da Web, não, apenas a facilidade e a quantidade de recursos, presentes na rede, serviram para de algum modo dar mais e melhores ferramentas para concretizar essa utilização da informação.

Que garantias temos? Quem controla a rede? Questões que se levantam, quando pensamos na quantidade de informação que circula pela rede? A questão dos direitos de autor, as licenças e os certificados SSL, levam-nos a pensar que a necessidade de certificação digital, levará a rede num futuro já próximo a trilhar novos caminhos. Estamos em crer que sim e tudo aponta para que os certificados digitais possam no futuro condicionar a utilização da rede. Cada utilizador terá credenciais digitais que o autenticarão na rede, o controlo não será feito pelo IP da máquina ou da ligação, que sendo dinâmico está sujeito a mudanças.

A rede continua a ter grandes problemas de controlo não existindo garantias quanto à sua fiabilidade. Lévy e Castels propõem a solução: a rede se autorregular. Estamos em crer que sem diretivas precisas e normalizadas, dentro de um contexto legislativo transnacional, a autorregulação é uma aposta perdida.

Conclusão

A autenticidade e transparência na rede são conceitos fundamentais, porém desafiadores de serem alcançados no contexto atual, gerando as condições ideais, nas redes sociais e em ambientes virtuais, para a criação do indivíduo virtual que se transforma e transforma as suas relações com o mundo e com os outros indivíduos. As plataformas online permitem a criação de uma persona digital única para cada utilizador, influenciando não apenas a forma como as pessoas se apresentam na internet, mas também como interagem com o mundo e com os outros indivíduos. Outros desafios a ter em conta são: a disseminação de informações falsas, o anonimato que permite comportamentos negativos, a falta de verificação de identidade e a manipulação de algoritmos, que podem distorcer a autenticidade e a transparência nas interações online.

Resumindo, destaca-se a complexidade da busca pela autenticidade e transparência na era digital, reconhecendo os obstáculos presentes, mas também sublinhando o papel crucial que as redes sociais e ambientes virtuais desempenham na formação das identidades online e nas relações interpessoais.

Finalmente, e por outro lado, surge a fraude e o plágio, uma e outra traduzem a falta da autenticidade e transparência na rede, traduzem também falhas ao nível da formação cívica dos utilizadores. Ainda assim, não podemos olhar apenas para os perigos, deveremos concentrar-nos nos grandes benefícios que a rede nos trouxe e fazer com que a transparência e a autenticidade sejam reais, adotando esses conceitos na nossa vida na rede.

Biliografia

BAUDRILLARD, J. (1991). Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio d’Água.

    Castells, M. (2004). A galáxia Internet. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
      Lévy, P. (1997). O que é o virtual? São Paulo: Edições 34.
        PATROCINIO, T. (2004). Tornar-se pessoa e cidadão digital – Formar-se dentro e fora da escola na sociedade tecnológica globalizada (dissertação de doutoramento). Universidade de Lisboa, Lisboa. Acedido a 17 de dezembro de 2023, em https://run.unl.pt/bitstream/10362/1294/3/patrocinio_2004_vol1.pdf
          Tong, P. e Corrêa, R. (s/d). Identidade e Privacidade no Mundo Virtual. Acedido a 17 de dezembro de 2023, em http://www.intercom.org.br/papers/sipec/ix/trab04.htm

          Sem comentários:

          Enviar um comentário